Texto que escrevi no avião, regressando de Nova York
Nua sem meu bloco laranja
Chuva. Muita chuva caindo em Nova York nesta tarde de terça feira. Atrasada pego o meu onibus rumo ao aeroporto JFK na Times Square e assim, olhando a chuva pela janela, digo adeus a Mannhattan.
Chego em cima da hora, faço o check in e ninguém me pergunta nada, ninguém revista nada e eu entro correndo pelos corredores do aeroporto para chegar o meu portão de embarque. Meu destino é o Rio de Janeiro com escala em Atlanta onde tenho que trocar de avião. Já embarcando o oficial do departamento de imigração do governo dos Estados Unidos pede meu passaporte e desconfiado de não sei o que, pede que eu aguarde ao lado. Enquanto esperava reparei que os passageiros eram abordados de forma aleatória, mas somente não americanos eram abordados. Concentrei minha atenção `as perguntas que o oficial fazia ao mineiro também “pescado” entre os passageiros na fila de embarque. O oficial parecia querer encontrar alguma coisa. Perguntou o porque da viagem, se o brasileiro havia trabalhado nos EUA…em um determinado momento ele chegou a dizer:: “onde esta o green card falsol?” O mineiro soltou uma gargalhada brasileira, daquelas bem gostosas e disse: “isso você ano vai encontrar de maneira nenhuma companheiro.”
Chegou a minha vez. Um dois oficiais já havia começado a fazer as perguntas de praxe e eu repetia: “sou mochileira, estava viajando pelos Estados Unidos” quando o outro oficial, aquele preocupado em mostrar serviço para as autoridades, começou a revistar a minha bolsa de mão. Ele perguntava o que eu vim fazer no país e eu repetia: “sou mochileira” . Ele dizia que algo estava errado no meu visto porque nele estava escrito “possibility of studying english” e eu havia dito que tinha decido não estudar. “ vc mentiu as autoridades” ele dizia. Com arrogância ele continuava: “Quantas vezes vc veio aos Estados Unidos? Duas? Você pode ter certeza que eu vou assegurar que está seja a última vez e que você não possa mais voltar a este país…como vc consegue dinheiro para viajar?” Eu expliquei que havia juntado um boa quantia de dinheiro e que, sendo jornalista independente, eu escrevia matérias e tentava vendê-las a veículos de mídia independente no Brasil, assim eu fazia dinheiro enquanto viajava.
Então ele encontrou meu bloco laranja. Este bloco é como um diário para mim, onde eu anoto meus contatos, minhas fontes, informações sobre tudo que acho interessante, meus pensamentos mais absurdos. Ele se achou no direito de ler meu bloco laranja. Com meia dúzia de palavras que sabia em português começou a especular sobre minhas anotações. Endereços, telefones, ele perguntava: “aonde vc trabalhou?” e eu não trabalhei em lugar nenhum! Sou jornalista, viajo em busca de histórias e este bloco é meu instrumento de trabalho! Uma das anotações correspondia a palestra de Ellen Scherder que, na conferência “reframing 9/11” comparou a política de segurança interna adotada pela administração Bush `a era Mcartney quando comunistas eram perseguidos pelo governo americano. O oficial começou a rir com o que tinha lido e em voz alta lia ao colega: “ela compara Mcartney a Bush”. Ai eu me irritei mesmo. Primeiro, não fui eu quem comparou, foi Ellen Scherecker…..segundo que, mesmo que eu achasse isso, é a minha opinião, escrita no meu bloco laranja! “Quem disse que vc pode invadir meu espaço desta maneira? Vc esta lendo o meu diário! Quem lhe deu este poder? Ele respondeu “O departamento de imigração do governo dos Estados Unidos que é responsável pelo controle de entrada e sadia de pessoas como vc para assim assegurar proteção ao nosso povo”. Certo. Enato o governo americano cria uma lei que permite a invasão da minha privacidade, cidadã brasileira?
Ellen Schereder na mesma palestra disse: “O Patriot atc é uma invasão em nossas casas justificada pela proteção do nosso povo”.
quarta-feira, março 31, 2004
sexta-feira, março 05, 2004
Depois de 6 meses...a chuva lava minha alma
A chuva anunciou sua chegada com uma nuvem cinza, bem ranzinza. Estávamos descendo as ladeiras de Santa Teresa conversando, platicando…Carolita se mudou há pouco tempo para Santa e fala com carinho sobre o brilho e simplicidade do bairro.
De repente a chuva veio e com força descarregou tudo em cima da gente, das casas, dos carros, dos cachorros. As pessoas paravam e conversavam embaixo da marquise tagarelando absurdos do dia a dia.
- Eu gosto deste tipo de chuva. Aquela que fica em cima da gente nos seguindo, fininha, fininha, é muito civilizada. Esta é uma chuva visceral. Disse Carolita.
Nesta altura a chuva já tomava conta dos nossos corpos e as roupas estavam praticamente encharcadas. O guarda-chuva que ela trazia já tinha se tornado irrelevante.
Virando uma esquina daquelas de curvas bem fechadas que desenham o percurso até Santa avistamos um carro e imediatamente percebemos a possibilidade de uma carona já que o motorista estava sozinho. O engraçado é que nossos olhares se cruzaram e instantaneamente eu soube o que se passava na cabeça da Carol e na dele também: ele sentia que devia ajudar.
Entramos no carro e a viagem demorou o tempo dos comentários superficiais sobre a chuva. Descemos próximo a estação de metro e lá nos separamos. Carolita tinha uma promessa a cumprir. precisava comprar a camiseta do Flamengo, foi a promessa que fez depois que o time ganhou a final contra o fluminense, um clássico no maraca em meio ao sábado de carnaval carioca.
Eu estava indo pra casa. Decidi que iria saltar na estação do Largo do Machado e não no Catete, assim a chuva poderia demorar um pouquinho mais…esquisitices, já que a viagem demoraria apenas duas paradas, ou seja, não faria diferença nenhuma. Desci as escadas do metrô Glória e reparei num cara. Ele estava segurando uma mala de instrumento musical e olhava de um jeito meio de quem nunca tinha estado ali. Eu sentei na bancada que fica logo depois da escada e fiquei reparando nele enquanto seus olhos esbarraram no meu. Entramos no mesmo vagão, eu numa ponta e ele na outra. Em pé, ficamos desviando um olhar do outro.
Sai bem rapidinho e vi ele olhando para trás pra ver se eu ainda estava lá. Subi as escadas pensando na cena e logo vi que a chuva não tinha melhorado. Subi as escadas rolantes e me deparei com vendedores de guarda-chuvas. Espertos perceberam a possibilidade de fazer algum dinheiro no instante que a nuvem ranzinza avisava o dilúvio que chegava. Eu, parada na saída do metro junto aqueles que esperavam a chuva passar, fiquei a pensar que não tinha nem o dinheiro de comprar um guarda-chuva.
-cinco real, apenas cinco real o guarda-chuva.
Eu nem cinco real tinha. O senhor que vendia me alertou sobre minha bolsa aberta.
-jovem, olha a bolsa aberta. Tinha olhos azuis bem fortes.
-eu já ia comentar, tinha reparado. Disse o rapaz atrás de mim,
-de qualquer maneira, nem tenho dinheiro. Abri a carteira e encontrei 4 reais. – nem um guarda-chuva posso comprar!
O senhor de olhos azuis foi logo perguntar ao chefe se podia vender por 4 reais
-não posso não..o preço já tá bom. Disse o chefe. Ele havia comprado a mercadoria e chamado outro cara para vendê-la. Foi então que o rapaz atrás falou:
-toma aqui. Um real.
Olhei pra ele com agradecimento calado, sentido. O senhor de olhos azuis foi logo entrando na onda:
- Tá vendo! Tem sempre alguém pra nos ajudar. Eu sou espirita minha filha, sei que nada nos faltará, nem um pãozinho porque sempre alguém haverá de dividir. Essa terra é muito boa. Pra vc vê dizem que foi descoberta pelo Pedro Álvares Cabral mas não foi
- Ué? Se não foi por ele por quem foi? Pergunto eu.
- Minha querida, como se pode descobrir algo que já foi descoberto? Isso aqui era dos índios. Eu sempre digo aos alunos: Cabral não descobriu nada.
- O senhor é professor de história?
- Sou, sou sim..
- Vamô parar com essa conversa fiada e trabalhar! Gritou o chefe.
Eu fui embora com uma sensação muito estranha. Estranha por ser boa e ao mesmo tempo ruim…tem muita gente boa ainda no planeta, especialmente no Brasil. Mas o que um professor de história fazia na porta do metrô vendendo guarda-chuva?
Mas me senti feliz, estou de volta ao Brasil!
De repente a chuva veio e com força descarregou tudo em cima da gente, das casas, dos carros, dos cachorros. As pessoas paravam e conversavam embaixo da marquise tagarelando absurdos do dia a dia.
- Eu gosto deste tipo de chuva. Aquela que fica em cima da gente nos seguindo, fininha, fininha, é muito civilizada. Esta é uma chuva visceral. Disse Carolita.
Nesta altura a chuva já tomava conta dos nossos corpos e as roupas estavam praticamente encharcadas. O guarda-chuva que ela trazia já tinha se tornado irrelevante.
Virando uma esquina daquelas de curvas bem fechadas que desenham o percurso até Santa avistamos um carro e imediatamente percebemos a possibilidade de uma carona já que o motorista estava sozinho. O engraçado é que nossos olhares se cruzaram e instantaneamente eu soube o que se passava na cabeça da Carol e na dele também: ele sentia que devia ajudar.
Entramos no carro e a viagem demorou o tempo dos comentários superficiais sobre a chuva. Descemos próximo a estação de metro e lá nos separamos. Carolita tinha uma promessa a cumprir. precisava comprar a camiseta do Flamengo, foi a promessa que fez depois que o time ganhou a final contra o fluminense, um clássico no maraca em meio ao sábado de carnaval carioca.
Eu estava indo pra casa. Decidi que iria saltar na estação do Largo do Machado e não no Catete, assim a chuva poderia demorar um pouquinho mais…esquisitices, já que a viagem demoraria apenas duas paradas, ou seja, não faria diferença nenhuma. Desci as escadas do metrô Glória e reparei num cara. Ele estava segurando uma mala de instrumento musical e olhava de um jeito meio de quem nunca tinha estado ali. Eu sentei na bancada que fica logo depois da escada e fiquei reparando nele enquanto seus olhos esbarraram no meu. Entramos no mesmo vagão, eu numa ponta e ele na outra. Em pé, ficamos desviando um olhar do outro.
Sai bem rapidinho e vi ele olhando para trás pra ver se eu ainda estava lá. Subi as escadas pensando na cena e logo vi que a chuva não tinha melhorado. Subi as escadas rolantes e me deparei com vendedores de guarda-chuvas. Espertos perceberam a possibilidade de fazer algum dinheiro no instante que a nuvem ranzinza avisava o dilúvio que chegava. Eu, parada na saída do metro junto aqueles que esperavam a chuva passar, fiquei a pensar que não tinha nem o dinheiro de comprar um guarda-chuva.
-cinco real, apenas cinco real o guarda-chuva.
Eu nem cinco real tinha. O senhor que vendia me alertou sobre minha bolsa aberta.
-jovem, olha a bolsa aberta. Tinha olhos azuis bem fortes.
-eu já ia comentar, tinha reparado. Disse o rapaz atrás de mim,
-de qualquer maneira, nem tenho dinheiro. Abri a carteira e encontrei 4 reais. – nem um guarda-chuva posso comprar!
O senhor de olhos azuis foi logo perguntar ao chefe se podia vender por 4 reais
-não posso não..o preço já tá bom. Disse o chefe. Ele havia comprado a mercadoria e chamado outro cara para vendê-la. Foi então que o rapaz atrás falou:
-toma aqui. Um real.
Olhei pra ele com agradecimento calado, sentido. O senhor de olhos azuis foi logo entrando na onda:
- Tá vendo! Tem sempre alguém pra nos ajudar. Eu sou espirita minha filha, sei que nada nos faltará, nem um pãozinho porque sempre alguém haverá de dividir. Essa terra é muito boa. Pra vc vê dizem que foi descoberta pelo Pedro Álvares Cabral mas não foi
- Ué? Se não foi por ele por quem foi? Pergunto eu.
- Minha querida, como se pode descobrir algo que já foi descoberto? Isso aqui era dos índios. Eu sempre digo aos alunos: Cabral não descobriu nada.
- O senhor é professor de história?
- Sou, sou sim..
- Vamô parar com essa conversa fiada e trabalhar! Gritou o chefe.
Eu fui embora com uma sensação muito estranha. Estranha por ser boa e ao mesmo tempo ruim…tem muita gente boa ainda no planeta, especialmente no Brasil. Mas o que um professor de história fazia na porta do metrô vendendo guarda-chuva?
Mas me senti feliz, estou de volta ao Brasil!
quarta-feira, janeiro 07, 2004
Existindo
Neste fim de semana a porta da verdade se abriu. Um grande mestre da Cabala veio promover um workshop sobre o misticismo judaico.
Numa certa noite o mestre tocou o seu tambor e pediu a todos que fizessem perguntas. poderia ser qualquer coisa, dúvida, questão.
Eu acredito que Deus existe simplesmente para me fazer saber que eu não sei de tudo. que eu nunca terei todas as respostas.
Se Deus é tudo e eu também sou Deus,
eu nunca saberei de tudo,
eu nunca saberei tudo sobre mim.
O dia que eu souber será o dia de minha morte.
Isso significa que eu não preciso sentir a angústia e a dor por não saber e gastar fortunas com horas e horas de terapia semanal!
o não saber é que garante minha existência.
Não saber de tudo então é que me faz estar viva?
Um dia um Rabino falou para seu discípulo: você deve viver como se fosse o dia anterior a sua morte.
Então o discípulo perguntou: Mas eu não sei o dia que eu vou morrer.
O Rabino disse: Exatamente!
You have to put yourself in the middle.
to put yourself in the middle you have to go from one extreme to another.
you have to go to the darkness to find the light.
Assim foi este ano, indo de um extremo para o outro. Em fevereiro estava no México pensado jornalismo autêntico dentro do contexto latino americano...investigando o dedo podre americano na realidade latina. Fui a Cuba, para mim um símbolo de extremo. A resistência pura e crua ao imperialismo sujo americano, o último pilar, mesmo que cambaleando, contra a globalização. Eu fui lá, eu vi tudo lá, eu senti tudo lá....
Agora estou aqui, do outro lado, nos Estados Unidos. Estou digerindo isso aos poucos. O que sei é que, ao contrário de todas as viagens que eu fiz onde parece que estou em outra dimensão, onde não tenho muitas preocupações e tal, minha viagem aos Estados Unidos foi muito real. REAL. Aqui não tive romantismos e ilusões. Enfrentei o a vida real, sem maquiagens, perfume ou sei lá o que.
Numa certa noite o mestre tocou o seu tambor e pediu a todos que fizessem perguntas. poderia ser qualquer coisa, dúvida, questão.
Eu acredito que Deus existe simplesmente para me fazer saber que eu não sei de tudo. que eu nunca terei todas as respostas.
Se Deus é tudo e eu também sou Deus,
eu nunca saberei de tudo,
eu nunca saberei tudo sobre mim.
O dia que eu souber será o dia de minha morte.
Isso significa que eu não preciso sentir a angústia e a dor por não saber e gastar fortunas com horas e horas de terapia semanal!
o não saber é que garante minha existência.
Não saber de tudo então é que me faz estar viva?
Um dia um Rabino falou para seu discípulo: você deve viver como se fosse o dia anterior a sua morte.
Então o discípulo perguntou: Mas eu não sei o dia que eu vou morrer.
O Rabino disse: Exatamente!
You have to put yourself in the middle.
to put yourself in the middle you have to go from one extreme to another.
you have to go to the darkness to find the light.
Assim foi este ano, indo de um extremo para o outro. Em fevereiro estava no México pensado jornalismo autêntico dentro do contexto latino americano...investigando o dedo podre americano na realidade latina. Fui a Cuba, para mim um símbolo de extremo. A resistência pura e crua ao imperialismo sujo americano, o último pilar, mesmo que cambaleando, contra a globalização. Eu fui lá, eu vi tudo lá, eu senti tudo lá....
Agora estou aqui, do outro lado, nos Estados Unidos. Estou digerindo isso aos poucos. O que sei é que, ao contrário de todas as viagens que eu fiz onde parece que estou em outra dimensão, onde não tenho muitas preocupações e tal, minha viagem aos Estados Unidos foi muito real. REAL. Aqui não tive romantismos e ilusões. Enfrentei o a vida real, sem maquiagens, perfume ou sei lá o que.
quinta-feira, janeiro 01, 2004
Revira e volta
31 de dezembro de 2003
são 9:30 da noite.
Estou numa casa enorme construída por volta de 1800. Vários cômodos, vários quartos, muitos e muitos quadros, obras de arte e mil vezes mais livros. eles estão por toda a parte.
passei a tarde escrevendo poemas em pedaços de papel que colocamos dentro de velhos pés de meia, de crianças, e penduramos num grande varal. cada pessoa escolhera uma meia e guardara seu poema como uma mensagem para o ano que chega.
daqui a algumas horas.
pensar no ano que passou e pensar em muitas viagens, aventuras, lugares, pessoas, culturas e junto com tudo isso, muitas expectativas.
eu esperei que tudo fosse blue
azul e limpo como o céu, sem nenhuma nuvem, nenhum trovão.
me enganei
ano existe céu claro sem tempestade
felicidade sem tristeza
amor sem desilusão
que este ano seja colher os frutos de tanta aprendizagem
tanto amor e tanta dor
são 9:30 da noite.
Estou numa casa enorme construída por volta de 1800. Vários cômodos, vários quartos, muitos e muitos quadros, obras de arte e mil vezes mais livros. eles estão por toda a parte.
passei a tarde escrevendo poemas em pedaços de papel que colocamos dentro de velhos pés de meia, de crianças, e penduramos num grande varal. cada pessoa escolhera uma meia e guardara seu poema como uma mensagem para o ano que chega.
daqui a algumas horas.
pensar no ano que passou e pensar em muitas viagens, aventuras, lugares, pessoas, culturas e junto com tudo isso, muitas expectativas.
eu esperei que tudo fosse blue
azul e limpo como o céu, sem nenhuma nuvem, nenhum trovão.
me enganei
ano existe céu claro sem tempestade
felicidade sem tristeza
amor sem desilusão
que este ano seja colher os frutos de tanta aprendizagem
tanto amor e tanta dor
terça-feira, dezembro 30, 2003
O Fim
As ultimas palavras que ele me disse ficam circulando em meu pensamento e de lá correm o meu corpo me deixando toda contraída. não consigo esquecer aquelas palavras. tudo que eu pensei que fosse verdade, tudo que pensei que tínhamos construído se desmoronou num único instante, em poucas palavras, silabas, letras..em menos de um minuto.
A minha dor e daquelas que ficam como um zumbido no ouvido e que de repente faz aquela lagrima incontrolável correr meu rosto em silencio.
Eu não tinha outra sadia. a hipocrisia seria a pior maneira de continuar aquela situação. viver de pequenos alívios, pequenas ilusões de felicidade.
Mas eu tenho mais forca hoje. sou mais eu. não queria mais um fantasma rondado minha vida, me enchendo de expectativas. não queria aquela esperança tola de que algum dia ele iria bater a minha porta e me dar aquele abraço confortante.
Desta vez eu não quis ir ate a ultima ponta. Meu limite foi o ponto onde minha dignidade ainda poderia ser preservada. dali em diante eu só iria me machucar ainda mais com os carinhos que ele não me da, com o amor que ele não demonstra por simplesmente não sentir. dali em diante eu só iria me sentir mais vazia a cada manha ao despertar depois de um sexo sem sentimento.
foi melhor assim.
assim eu não deixo meu coração secar de tanto se machucar. assim eu ainda posso acreditar.
A minha dor e daquelas que ficam como um zumbido no ouvido e que de repente faz aquela lagrima incontrolável correr meu rosto em silencio.
Eu não tinha outra sadia. a hipocrisia seria a pior maneira de continuar aquela situação. viver de pequenos alívios, pequenas ilusões de felicidade.
Mas eu tenho mais forca hoje. sou mais eu. não queria mais um fantasma rondado minha vida, me enchendo de expectativas. não queria aquela esperança tola de que algum dia ele iria bater a minha porta e me dar aquele abraço confortante.
Desta vez eu não quis ir ate a ultima ponta. Meu limite foi o ponto onde minha dignidade ainda poderia ser preservada. dali em diante eu só iria me machucar ainda mais com os carinhos que ele não me da, com o amor que ele não demonstra por simplesmente não sentir. dali em diante eu só iria me sentir mais vazia a cada manha ao despertar depois de um sexo sem sentimento.
foi melhor assim.
assim eu não deixo meu coração secar de tanto se machucar. assim eu ainda posso acreditar.
segunda-feira, dezembro 29, 2003
Cruel truth
I prefer to live because I still love you
I think this is the best opcion
Why?
Cause I can't love you when I can't love who I am
I don't know what I'm doing right now
So I can't love anyone else...
I think this is the best opcion
Why?
Cause I can't love you when I can't love who I am
I don't know what I'm doing right now
So I can't love anyone else...
segunda-feira, dezembro 22, 2003
Viva a sociedade alternativa
Interessante a situação que eu estou vivendo no momento morando numa comunidade alternativa em plena terra do tio Sam.. olha como são as coisas..logo nos Estados Unidos eu fui encontrar um lugar desses. Outro dia eu estava trabalhando na cozinha comunitária e me veio a cabeça como seria uma idéia muito interessante para o desenvolvimento do interior do Brasil.
Tudo cresce em terras brasileiras, tudo. Somos tão férteis, tão vivos. Por que tanta pobreza? O.k., tem a história de concentração de renda e tal. Mas eu acho que no fundo o brasileiro não sabe é se organizar. Talvez nós sejamos muito criativos mais criatividade não é só ter boas idéias, é tb saber viabilizá-las.
O americano é bom nisso pra caramba, ele sabe ganhar dinheiro. Rowe Conference Center significa um grupo de pessoas com pensamento comunitário que resolveu viver junto e ganhar dinheiro junto. A comunidade está situada nas montanhas de Massashusetts, um lugar de natureza exuberante. Existem habitações para os que moram aqui e existem quartos de hospedes para os que visitam o local durante as conferências que são realizadas no centro de convenções criado no campus da comunidade. Ou seja, a renda das conferências sustenta a comunidade. São workshops sobre artes e filosofia. Existe um grupo de voluntários (eu sou um deles) que participa da vida comunitária por um tempo e ajuda na manutenção do centro. Em troca, ganha a oportunidade de participar gratuitamente de todas as conferências que aqui são realizadas.
O nome desta história se chama "Intencional Comunnity". Ao todo são mais de 100 na região de New England. Cada uma com o seu jeito de fazer dinheiro. Pode ser um bonito hotel, agricultura, cursos de culinária, yoga, artes..
Eu traduziria para Comunidades Vocacionais. Um grupo de pessoas com vocação para arte ou o que seja, decide viver em comunidade e reunir forças para, em conjunto, se auto-sustentar.
Não seria uma boa idéia para o desenvolvimento do interior do brasil? Pescadores, agricultores, carpinteiros, rendadeiras...gente que tem algo em comum. Assim este povo reuniria competências para enfrentar o grande mercado. Para que ir para a cidade grande em busca de um trabalho que lhes tira a dignidade e viver empilhado numa favela?
Eu acho que seria uma boa alternativa...
Tudo cresce em terras brasileiras, tudo. Somos tão férteis, tão vivos. Por que tanta pobreza? O.k., tem a história de concentração de renda e tal. Mas eu acho que no fundo o brasileiro não sabe é se organizar. Talvez nós sejamos muito criativos mais criatividade não é só ter boas idéias, é tb saber viabilizá-las.
O americano é bom nisso pra caramba, ele sabe ganhar dinheiro. Rowe Conference Center significa um grupo de pessoas com pensamento comunitário que resolveu viver junto e ganhar dinheiro junto. A comunidade está situada nas montanhas de Massashusetts, um lugar de natureza exuberante. Existem habitações para os que moram aqui e existem quartos de hospedes para os que visitam o local durante as conferências que são realizadas no centro de convenções criado no campus da comunidade. Ou seja, a renda das conferências sustenta a comunidade. São workshops sobre artes e filosofia. Existe um grupo de voluntários (eu sou um deles) que participa da vida comunitária por um tempo e ajuda na manutenção do centro. Em troca, ganha a oportunidade de participar gratuitamente de todas as conferências que aqui são realizadas.
O nome desta história se chama "Intencional Comunnity". Ao todo são mais de 100 na região de New England. Cada uma com o seu jeito de fazer dinheiro. Pode ser um bonito hotel, agricultura, cursos de culinária, yoga, artes..
Eu traduziria para Comunidades Vocacionais. Um grupo de pessoas com vocação para arte ou o que seja, decide viver em comunidade e reunir forças para, em conjunto, se auto-sustentar.
Não seria uma boa idéia para o desenvolvimento do interior do brasil? Pescadores, agricultores, carpinteiros, rendadeiras...gente que tem algo em comum. Assim este povo reuniria competências para enfrentar o grande mercado. Para que ir para a cidade grande em busca de um trabalho que lhes tira a dignidade e viver empilhado numa favela?
Eu acho que seria uma boa alternativa...
quinta-feira, dezembro 18, 2003
O Batuque do Bronx
Este fim de semana foi sensacional. Ubaka veio do Bronx promover um workshop sobre percussão. Um grupo de mais de 30 pessoas veio atrás carregando seus respectivos tambores. A afro americana transmitiu seus conhecimentos sobre a arte da batucada e eu me senti em casa. suei em plena tempestade de neve. foi ótimo!
Despedidas
mais um grupo de amigos indo embora...fizemos uma despedida super legal. existe uma tradição aqui em Rowe: toda vez que alguém vai embora separamos um tempinho para apreciá-las. eu as aprecio muito.
Tim e Tina formam o casal mais afetuoso que eu conheci nos Estados Unidos. enquanto os outros estão receosos em demonstrar afeição em público, Tim e Tina compartilham com todos a sua volta o amor que sentem entre si. Ele toca violão para ela e ela canta para ele. os dois formam uma dupla linda, vibrante e cheia de luz. Margareth é um amor de pessoa. nos seus mais de trinta anos, ela tem as dúvidas que nós, na casa dos vinte, ainda temos. porém Margareth não tem aquela ansiedade toda...serena..serena..ela é super compreensiva. papo ótimo. Eva tem aquele senso de humor nova yorquino. sarcástica! cursou filosofia mas não se deixou dominar pela seriedade. é super espontânea e pra cima.
eles formam o grupo de jovens que eu mais me senti conectada aqui na terra do tio sam. talvez pela simplicidade, talvez pela humildade. gente do bem com quem eu finalmente troquei muito.
depois de viajar tanto eu já sei prever o futuro das relações que criei nas minhas caminhadas..já sinto saudades daqueles que nunca mais verei.
Despedidas
mais um grupo de amigos indo embora...fizemos uma despedida super legal. existe uma tradição aqui em Rowe: toda vez que alguém vai embora separamos um tempinho para apreciá-las. eu as aprecio muito.
Tim e Tina formam o casal mais afetuoso que eu conheci nos Estados Unidos. enquanto os outros estão receosos em demonstrar afeição em público, Tim e Tina compartilham com todos a sua volta o amor que sentem entre si. Ele toca violão para ela e ela canta para ele. os dois formam uma dupla linda, vibrante e cheia de luz. Margareth é um amor de pessoa. nos seus mais de trinta anos, ela tem as dúvidas que nós, na casa dos vinte, ainda temos. porém Margareth não tem aquela ansiedade toda...serena..serena..ela é super compreensiva. papo ótimo. Eva tem aquele senso de humor nova yorquino. sarcástica! cursou filosofia mas não se deixou dominar pela seriedade. é super espontânea e pra cima.
eles formam o grupo de jovens que eu mais me senti conectada aqui na terra do tio sam. talvez pela simplicidade, talvez pela humildade. gente do bem com quem eu finalmente troquei muito.
depois de viajar tanto eu já sei prever o futuro das relações que criei nas minhas caminhadas..já sinto saudades daqueles que nunca mais verei.
sábado, dezembro 06, 2003
eu quero escrever tanto. parece que agora que alcancei meu maior obstáculo, minha ferramenta, eu não consigo fazer com que meu pensamento se transforme em palavras. preciso encontrar um ponto de partida. eu cheguei tão longe comprando este lap top que nunca conseguiria comprar no Brasil. acho que precisaria de anos e anos de trabalho duro para conseguir pagar minhas contas, me divertir e ainda juntar dinheiro suficiente para comprar.
depois de tanta expectativa e ralação eu comprei o tão desejando computador. até me senti mal de desejar tão profundamente um bem material. um objeto. mas é que, na verdade, este materialismo alcançaria algo muito importante.
depois de tanta expectativa e ralação eu comprei o tão desejando computador. até me senti mal de desejar tão profundamente um bem material. um objeto. mas é que, na verdade, este materialismo alcançaria algo muito importante.
quinta-feira, dezembro 04, 2003
Rowe Conference Center
No pacote Rowe veio muita coisa boa..comida saudável, natureza impressionante, lugar aconchegante, pessoas interessantes, experiência profissional, pessoal...mais obviamente alguma coisa tinha que ser lado B.
eu sabia que esta coisa de viver em comunidade é muito bacana, desperta uma curiosidade. Eu que já morei neste esquema em Kibutz e lá na Ilha da gigóia sei muito bem que não é tão paz e amor assim. rola muito atrito porque simplesmente a gente vê mais a cara do outro.
mais o lance aqui não é nem esse. eu simplesmente desligo quando não quero interagir e não me sinto nem um pouco encucada com isso. desligo o áudio e fico no mute total. ainda mais porque falo inglês constantemente e isso as vezes cansa. eu sei ficar comigo enquanto estou com outras pessoas. acho que adquiri isso depois de tanto viajar especialmente quando viajo só e interajo muito com gente momentânea.
o lance é que americano se amarra numa terapia de grupo. eu já saquei qual é: quando vc fala, coloca para fora, coisas que te afligem no momento, problemas que te deixam deprimido e tal, aquilo se torna menor. parece que dá um alívio. e alivia mesmo...essa coisa de grupo simplesmente ajuda porque vc minimiza seus problemas expressando-os para outras pessoas. vc relativiza seu problema ao realizar que as outras pessoas tb têm problemas...
mais isso na verdade não resolve problema nenhum! por mais que vc sinta um alívio, o problema ainda esta aí. guardadinho. falar dele com outras pessoas não significa resolve-lo. na verdade vc só fica aporrinhando os outros com coisas que deveriam ser de ordem pessoal! e todo mundo olha pra cara da pessoa e diz: oh...I'm sorry..I'm really sorry.
Haja paciência pra isso!
quarta-feira, dezembro 03, 2003
A Neve e a Jacusi
Numa outra dimensão...Rowe
Eu tinha certeza que iria voltar. certeza. quando vim aqui para assistir a conferência do Giordando eu saquei logo que voltaria. uma comunidade onde moram em média 20 pessoas, nas montanhas do Estado de Massashusetts. uma fazenda com a mesma estrutura de um kibutz: existem tarefas a serem cumpridas por todos aqueles que moram na comunidade. isto significa trabalhar na grande cozinha, na organização e limpeza e no office. o office é responsável pelo ganha pão de todos aqui. este lugar vive de organizar e hospedar conferências normalmente relacionados `a arte, música, filosofia e comida...comida aqui é tudo. tudo é orgânico, muitos são sérios vegetarianos (eu não cai nessa não!). o lugar é super aconchegante e instiga a criatividade. eu fiquei encantada com o Art Room! um galpão enorme cheio de objetos, ferramentas..tudo que se possa imaginar para pintar, esculpir, fazer brincos, colares, colagem...sensacional. descobri tb o basement do dinner room. lá tem todos os acessórios para um office torto.. uma mesa de madeira enorme onde tem cabos para conectar internet. decretei meu.
ontem foi um dia tão bom...
Passamos a tarde decorando o living room para a despedida de umas das família. eles seguem rumo ao Colorado. é interessante o fato de eu já ter ido até lá, atravessado o país. eu conheci muitas coisas nesta terra. ontem eu estava ajudando a decorar o espaço, ativando minha criatividade e fiquei muito impressionada com as coisas que posso inventar. o interessante é que eu não tinha a mínima idéia de quem eram as pessoas que iriam partir. eu fiquei muito intrigada ao perceber que estava dando de mim para gente que eu nem conhecia e fiquei feliz ao sacar que eles é que estavam me dando pois esta despedida foi como um pretexto para eu sentar e criar coisas lindas. o living room ficou lindo, lindo mesmo. quando eu entrei depois de algumas horas, as luzes estavam todas acesas e toda a decoração reluzia. quando a família entrou na sala cada um segurava um instrumento e começamos a tocar..tocar..foi muito bacana.
choque térmico
no meio da festa fui convocada a ir para a jacusi. fiquei meio sem jeito porque eu não estava sacando como isso iria acontecer e meu receio foi confirmado. ao chegar lá percebi que a jacusi ficava ao ar livre! o frio aqui é terrível! a atmosfera é branca branca..tudo é neve. todos tiraram a roupa e nus começaram a entrar na água quente. eu fiquei meio sem jeito... e só de olhar a neve em volta me veio um pânico: vou tirar a minha roupa toda e cair nesta jacusi ao ar livre! parecia muita maluquice! mas eu fui...e não me arrependi. lá estava eu, nua, dentro de uma grande banheira de água pelando bebendo vinho e me divertindo com as pessoas mais inesperadas.
Rowe é muito único..eu nunca ouvi falar de um lugar assim.
Eu tinha certeza que iria voltar. certeza. quando vim aqui para assistir a conferência do Giordando eu saquei logo que voltaria. uma comunidade onde moram em média 20 pessoas, nas montanhas do Estado de Massashusetts. uma fazenda com a mesma estrutura de um kibutz: existem tarefas a serem cumpridas por todos aqueles que moram na comunidade. isto significa trabalhar na grande cozinha, na organização e limpeza e no office. o office é responsável pelo ganha pão de todos aqui. este lugar vive de organizar e hospedar conferências normalmente relacionados `a arte, música, filosofia e comida...comida aqui é tudo. tudo é orgânico, muitos são sérios vegetarianos (eu não cai nessa não!). o lugar é super aconchegante e instiga a criatividade. eu fiquei encantada com o Art Room! um galpão enorme cheio de objetos, ferramentas..tudo que se possa imaginar para pintar, esculpir, fazer brincos, colares, colagem...sensacional. descobri tb o basement do dinner room. lá tem todos os acessórios para um office torto.. uma mesa de madeira enorme onde tem cabos para conectar internet. decretei meu.
ontem foi um dia tão bom...
Passamos a tarde decorando o living room para a despedida de umas das família. eles seguem rumo ao Colorado. é interessante o fato de eu já ter ido até lá, atravessado o país. eu conheci muitas coisas nesta terra. ontem eu estava ajudando a decorar o espaço, ativando minha criatividade e fiquei muito impressionada com as coisas que posso inventar. o interessante é que eu não tinha a mínima idéia de quem eram as pessoas que iriam partir. eu fiquei muito intrigada ao perceber que estava dando de mim para gente que eu nem conhecia e fiquei feliz ao sacar que eles é que estavam me dando pois esta despedida foi como um pretexto para eu sentar e criar coisas lindas. o living room ficou lindo, lindo mesmo. quando eu entrei depois de algumas horas, as luzes estavam todas acesas e toda a decoração reluzia. quando a família entrou na sala cada um segurava um instrumento e começamos a tocar..tocar..foi muito bacana.
choque térmico
no meio da festa fui convocada a ir para a jacusi. fiquei meio sem jeito porque eu não estava sacando como isso iria acontecer e meu receio foi confirmado. ao chegar lá percebi que a jacusi ficava ao ar livre! o frio aqui é terrível! a atmosfera é branca branca..tudo é neve. todos tiraram a roupa e nus começaram a entrar na água quente. eu fiquei meio sem jeito... e só de olhar a neve em volta me veio um pânico: vou tirar a minha roupa toda e cair nesta jacusi ao ar livre! parecia muita maluquice! mas eu fui...e não me arrependi. lá estava eu, nua, dentro de uma grande banheira de água pelando bebendo vinho e me divertindo com as pessoas mais inesperadas.
Rowe é muito único..eu nunca ouvi falar de um lugar assim.
terça-feira, dezembro 02, 2003
Dias Prateados
Branquinha branquinha. A neve é uma gracinha. Foi a primeira vez que vi a neve. Estamos em Rochester, próximo ao Canadá.
Vida Muderna
Qual é a primeira palavra?
A primeira palavra depois de um longo tempo de expectativas. Tem que ser uma palavra que sintetize num só respiro todas as sensações que experimentei nesta jornada.
Eu na verdade queria escrever sobre as tantas coisas que vejo e sinto. Tento começar mas a impressão que tenho é que toda palavra se torna superficial quando impressa na tela. Parece que toda e nenhuma palavra não consegue expressar minha satisfação de conseguir chegar aonde cheguei. Na verdade eu não cheguei em lugar nenhum eu simplesmente alcancei mais um patamar e logo vou desejar mais e mais e todo este querer e toda esta busca, este esforço, vai virar passado.
Ele disse: comece escrevendo a verdade.
Eu não sei se vou conseguir.
Não sei.
O que sei é que eu vou tentar.
Abro meu querido lap top já no trem. Obviamente sai correndo pelas ruas do Village atras de um taxi. Um ser humano me perguntou qual era meu destino. Aliviado, entrou no meu taxi e juntos seguimos para a Pen Station.
O trem esta lotado!
segunda-feira, novembro 17, 2003
Thompson st
so em NYC
já se foi 1 mês....
outra noite fui ao supermercado da esquina `as 2 da manha. este mercado 'e muito engraçado. cada corredor de prateleiras se refere `a uma rua do village. 'e o único mercado que eu conheço que toca jazz. naquela noite era possível escutar mais do que jazz. na fila do caixa eu prestava atenção na funcionaria sonolenta. Meu ouvido estava confuso. se eu chegasse um pouquinho pra frente eu reconhecia a salsa cubana..um pouquinho pra atrás .. a voz de Nina Simone.
não 'e incrível. a salsa da plebe nova yorquina que trabalha madrugada a dentro misturada com a sofisticação do jazz. so em Nova York acontecem estas coisas...
já se foi 1 mês....
outra noite fui ao supermercado da esquina `as 2 da manha. este mercado 'e muito engraçado. cada corredor de prateleiras se refere `a uma rua do village. 'e o único mercado que eu conheço que toca jazz. naquela noite era possível escutar mais do que jazz. na fila do caixa eu prestava atenção na funcionaria sonolenta. Meu ouvido estava confuso. se eu chegasse um pouquinho pra frente eu reconhecia a salsa cubana..um pouquinho pra atrás .. a voz de Nina Simone.
não 'e incrível. a salsa da plebe nova yorquina que trabalha madrugada a dentro misturada com a sofisticação do jazz. so em Nova York acontecem estas coisas...
sexta-feira, outubro 17, 2003
Muchas Cervezas
yeah dude
ontem foi um dia daqueles...
fui trabalhar e as 10 da noite já não havia ninguém no restaurante. o garçom albanês entrou numa de me dar drinks. o dono não estava lá, nem a mamadona. uma beleza.
as dez da noite, o restaurante vazio, eu, o albanês e o camareiro mexicano bebendo no bar. arrastamos as mesas e daqui a pouco estávamos todos bailando numa grande pista de dança. os mexicanos saíram da cozinha e surpresos perceberam a farra no salão. sentaram no bar e o albanês já foi trazendo cervezas...
3 horas depois, bêbada, estava eu subindo 6 lances de escada para depois mergulhar na cama.
ontem foi um dia daqueles...
fui trabalhar e as 10 da noite já não havia ninguém no restaurante. o garçom albanês entrou numa de me dar drinks. o dono não estava lá, nem a mamadona. uma beleza.
as dez da noite, o restaurante vazio, eu, o albanês e o camareiro mexicano bebendo no bar. arrastamos as mesas e daqui a pouco estávamos todos bailando numa grande pista de dança. os mexicanos saíram da cozinha e surpresos perceberam a farra no salão. sentaram no bar e o albanês já foi trazendo cervezas...
3 horas depois, bêbada, estava eu subindo 6 lances de escada para depois mergulhar na cama.
sexta-feira, outubro 10, 2003
La Putanesca
La putanesca
o garçom fala uma língua estranha com a mamadona. albanês. o outro e de kosovo e me explica que tb se considera albanes porque kosovo, Iugoslávia, tcheco Eslováquia e tarara. o camareiro e húngaro. quando chego na cozinha escuto espanhol. o cozinheiro e equatoriano e se chama Miguel. ele me apresenta seus assistentes. mexicanos. a nova
bartender é loiríssima e tem olhos azuis. e da Rússia. trabalho num restaurante italiano. de italiano só La putanesca, um
dos aperitivos do menu.
a máfia albanesa chegou em Nova York junto com a russa e simplesmente tomou o espaço da máfia italiana criando restaurantes de culinária...albanesa? não, italiana. servem como fachadas de negócios escusos que a minha curiosidade de jornalista, fresquinha, fresquinha, quer investigar mas que a minha sanidade, ainda que pouca, não me deixa ousar em tentar.
o pirado do metro
o metro em Nova York já e um grande evento. outro dia estava eu sentada praticando meu subwayspanhish lendo todos os avisos de perigo escritos em espanhol quando um carinha entrou numa de não sair da porta do vagão...stay clear of the closing doors please...o cara continuava na porta e o negão a sua frente começou a reclamar.
get out of the fucking door man! o ser humano se descontrolou e de repente o condutor do vagão estava aos berros com o pirado dizendo que ia chamar a policia. meia hora se passou e o negão já estava junto com o condutor e todo o metro pulando em cima do pirado. um grupo de estudantes de cinema da universidade de nova york surgiu do nada (do nada!) com câmeras a postos e um grande espetáculo se formou. ficamos parados 40 min quando a policia chegou e colocou ordem no recinto. eu sento novamente e duas mulheres a minha frente me perguntam: que paso?
ilegal world
Ao lado do restaurante albanes, ou seja, italiano, existe um café também italiano (o dono 'e legitimo) onde trabalhei por um único fim de semana. fiquei sabendo do trabalho através do garçom de outro restaurante italiano (será albanes?) onde comi um delicioso almoço depois de dias subindo 6 lances de escada (moro no sexto andar de um prédio sem elevador) com apenas um bagel no estômago. o milagre do cartão de credito do papai... a paulista do café simplesmente foi com a minha cara e me contratou. Rita veio aos estados Unidos na cara e na coragem, sem uma palavra de inglês no bolso. começou lavando pratos e assim ficou por 5 meses. a mulher, esperta pra caramba, pegou o inglês na raça e dai começou a atender mesas. hoje e gerente deste café. junto com ela trabalham um mineiro que já rodou tudo quanto e cozinha neste pais, um polonês pintoso pintoso, uma turca com um nome engraçadíssimo, gul, e claro, mexicanos na cozinha. todos são completamente inexistentes nesta sociedade.
o garçom fala uma língua estranha com a mamadona. albanês. o outro e de kosovo e me explica que tb se considera albanes porque kosovo, Iugoslávia, tcheco Eslováquia e tarara. o camareiro e húngaro. quando chego na cozinha escuto espanhol. o cozinheiro e equatoriano e se chama Miguel. ele me apresenta seus assistentes. mexicanos. a nova
bartender é loiríssima e tem olhos azuis. e da Rússia. trabalho num restaurante italiano. de italiano só La putanesca, um
dos aperitivos do menu.
a máfia albanesa chegou em Nova York junto com a russa e simplesmente tomou o espaço da máfia italiana criando restaurantes de culinária...albanesa? não, italiana. servem como fachadas de negócios escusos que a minha curiosidade de jornalista, fresquinha, fresquinha, quer investigar mas que a minha sanidade, ainda que pouca, não me deixa ousar em tentar.
o pirado do metro
o metro em Nova York já e um grande evento. outro dia estava eu sentada praticando meu subwayspanhish lendo todos os avisos de perigo escritos em espanhol quando um carinha entrou numa de não sair da porta do vagão...stay clear of the closing doors please...o cara continuava na porta e o negão a sua frente começou a reclamar.
get out of the fucking door man! o ser humano se descontrolou e de repente o condutor do vagão estava aos berros com o pirado dizendo que ia chamar a policia. meia hora se passou e o negão já estava junto com o condutor e todo o metro pulando em cima do pirado. um grupo de estudantes de cinema da universidade de nova york surgiu do nada (do nada!) com câmeras a postos e um grande espetáculo se formou. ficamos parados 40 min quando a policia chegou e colocou ordem no recinto. eu sento novamente e duas mulheres a minha frente me perguntam: que paso?
ilegal world
Ao lado do restaurante albanes, ou seja, italiano, existe um café também italiano (o dono 'e legitimo) onde trabalhei por um único fim de semana. fiquei sabendo do trabalho através do garçom de outro restaurante italiano (será albanes?) onde comi um delicioso almoço depois de dias subindo 6 lances de escada (moro no sexto andar de um prédio sem elevador) com apenas um bagel no estômago. o milagre do cartão de credito do papai... a paulista do café simplesmente foi com a minha cara e me contratou. Rita veio aos estados Unidos na cara e na coragem, sem uma palavra de inglês no bolso. começou lavando pratos e assim ficou por 5 meses. a mulher, esperta pra caramba, pegou o inglês na raça e dai começou a atender mesas. hoje e gerente deste café. junto com ela trabalham um mineiro que já rodou tudo quanto e cozinha neste pais, um polonês pintoso pintoso, uma turca com um nome engraçadíssimo, gul, e claro, mexicanos na cozinha. todos são completamente inexistentes nesta sociedade.
On Line
Quando quero conexão e um amigo vou ao Internet café na la guardia
para encontrar ziv, um israelense gente boa que finge falar inglês
atras do balcão. quando quero conexão, um sofá e um capuccino vou
no esperanto café, onde tb existe um israelense de cabelos
encaracolados atras do balcão. quando quero conexão e cerveja vou
no happy hour do puzzi cat, onde não tem um israelense no balcão
mais tem cerveja por 2 dólares e Internet de graça.
tem tb conexão e musica chinesa. os chineses são impressionantes.
trabalham horas e horas por dia sempre com aquela cara de quem se
faz de desentendido mais que entende muito bem de fazer dinheiro.
na greenwich ave tem conexão e curry. indianos fedem curry.
e tem ainda conexão e abraço na casa da Michel, onde posso fumar
cigarros por 2 dólares o pacote. eles vem das reservas indígenas,
não têm impostos.
para encontrar ziv, um israelense gente boa que finge falar inglês
atras do balcão. quando quero conexão, um sofá e um capuccino vou
no esperanto café, onde tb existe um israelense de cabelos
encaracolados atras do balcão. quando quero conexão e cerveja vou
no happy hour do puzzi cat, onde não tem um israelense no balcão
mais tem cerveja por 2 dólares e Internet de graça.
tem tb conexão e musica chinesa. os chineses são impressionantes.
trabalham horas e horas por dia sempre com aquela cara de quem se
faz de desentendido mais que entende muito bem de fazer dinheiro.
na greenwich ave tem conexão e curry. indianos fedem curry.
e tem ainda conexão e abraço na casa da Michel, onde posso fumar
cigarros por 2 dólares o pacote. eles vem das reservas indígenas,
não têm impostos.
segunda-feira, setembro 22, 2003
A Better day
This silence is kiling me. a silence that makes the air heavy. heavy silence. I don't know what to say. If I knew, I wouldn't know how to begin. See the time running bring me the pain of tomorow. He will close the door and I will want to kill myself for not saying what I didn't know to say.
What a crazy feelings!
he is reading something irrelevant and his eyes keep scaping from me. what is going to happen now? should I read this for him or choose the easy-heavy silence?
is this silence the best answer? maybe there is nothing to say at all. our soul must suffer and wait for a better day.
This silence is kiling me. a silence that makes the air heavy. heavy silence. I don't know what to say. If I knew, I wouldn't know how to begin. See the time running bring me the pain of tomorow. He will close the door and I will want to kill myself for not saying what I didn't know to say.
What a crazy feelings!
he is reading something irrelevant and his eyes keep scaping from me. what is going to happen now? should I read this for him or choose the easy-heavy silence?
is this silence the best answer? maybe there is nothing to say at all. our soul must suffer and wait for a better day.
sábado, setembro 20, 2003
To be or no to be
Eis a questao...
que eu tenho que escrever? sobre sábado a noite num
apartamento em Nova York? sobre ele fechando a porta e eu vazia na
sala esperando a hora para fumar um cigarro. sobre as coisas que
vejo andando na rua e as coisas sinto entre os amigos dele? sobre
as coisas que ouço mais não me conecto? sobre a duvida da língua e
a linguagem?
2B or not to be...
um apartamento micro com um sofá cor terra que dominava todo o
ambiente. eu afobada corro as escadas abaixo a respirar um cigarro.
volto afobada preocupada com o numero do apartamento e, parada
diante do sofá cheio, pergunto tímida a referencia do local.
ele cantante responde com o som de um violão.
que eu tenho que escrever? sobre sábado a noite num
apartamento em Nova York? sobre ele fechando a porta e eu vazia na
sala esperando a hora para fumar um cigarro. sobre as coisas que
vejo andando na rua e as coisas sinto entre os amigos dele? sobre
as coisas que ouço mais não me conecto? sobre a duvida da língua e
a linguagem?
2B or not to be...
um apartamento micro com um sofá cor terra que dominava todo o
ambiente. eu afobada corro as escadas abaixo a respirar um cigarro.
volto afobada preocupada com o numero do apartamento e, parada
diante do sofá cheio, pergunto tímida a referencia do local.
ele cantante responde com o som de um violão.
quarta-feira, setembro 17, 2003
Angústia
Angustia
Porque sinto tanta angustia?
será que isso e a minha cruz?
será que posso transformar isso em algo bom, produtivo?
ou carregarei minha angustia em minhas costas, sempre me puxando
para traz?
como faço para aliviar a minha dor?
estou condenada a eterna psicanálise?
existe cura para a dor de viver?
qual e ??
eu não sei se existe cura para esta doença. será uma isso uma
doença?
quando sinto dor, algo se comprime dentro de mim. sinto todos os
meus órgãos comprimidos, encolhidos. meu sangue circula mais
pesado, devagar, carregado.
o que eu preciso para aliviar esta dor?
musica
dança
amor
serão apenas pequenos pretextos. pequenos truques para a
autoenganacao?
a esperança de um novo dia. um dia bonito, colorido, quando então
posso esquecer minha angustia.
mas ela sempre me ganha. sempre volta.
será que outros também sentem a dor?
sinto dor quando não sei quem sou
alguém sabe? alguém se conhece profundamente?
o profundo e muito chato
existem pessoas que fazem e existem pessoas que sentem
existe um meio termo? como?
dançando
amando
e sentindo a dor?
como se faz este equilíbrio?
algum dia eu saberei?
o que preciso para saber?
testar
experimentar
melhor fazer e se arrepender do que não fazer e se corroer não e?
seria melhor se não tivesse feito
o feito me trouxe novos questionamentos
novas sensações
outros limites a serem conhecidos
e ai? lidar com isso me traz desespero
vontade de chorar e vomitar
angustia
sempre preciso de ajuda. não sei ser sozinha.
por que! alguém sabe?
Porque sinto tanta angustia?
será que isso e a minha cruz?
será que posso transformar isso em algo bom, produtivo?
ou carregarei minha angustia em minhas costas, sempre me puxando
para traz?
como faço para aliviar a minha dor?
estou condenada a eterna psicanálise?
existe cura para a dor de viver?
qual e ??
eu não sei se existe cura para esta doença. será uma isso uma
doença?
quando sinto dor, algo se comprime dentro de mim. sinto todos os
meus órgãos comprimidos, encolhidos. meu sangue circula mais
pesado, devagar, carregado.
o que eu preciso para aliviar esta dor?
musica
dança
amor
serão apenas pequenos pretextos. pequenos truques para a
autoenganacao?
a esperança de um novo dia. um dia bonito, colorido, quando então
posso esquecer minha angustia.
mas ela sempre me ganha. sempre volta.
será que outros também sentem a dor?
sinto dor quando não sei quem sou
alguém sabe? alguém se conhece profundamente?
o profundo e muito chato
existem pessoas que fazem e existem pessoas que sentem
existe um meio termo? como?
dançando
amando
e sentindo a dor?
como se faz este equilíbrio?
algum dia eu saberei?
o que preciso para saber?
testar
experimentar
melhor fazer e se arrepender do que não fazer e se corroer não e?
seria melhor se não tivesse feito
o feito me trouxe novos questionamentos
novas sensações
outros limites a serem conhecidos
e ai? lidar com isso me traz desespero
vontade de chorar e vomitar
angustia
sempre preciso de ajuda. não sei ser sozinha.
por que! alguém sabe?
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